Decidir qual estrutura de relacionamento funciona para você pode ser um dos questionamentos mais íntimos e desafiadores na comunidade LGBT+. Longe dos moldes heteronormativos pré-fabricados, temos a liberdade – e a responsabilidade – de construir nossos próprios acordos. Mas por onde começar? Este guia não vai dizer o que é melhor, mas vai te equipar com as perguntas certas e ferramentas práticas para que você e sua(s) parceira(s) possam construir uma relação ética, honesta e satisfatória para todos envolvidos.

Primeiro, vamos desmistificar os termos. Monogamia é a exclusividade romântica e sexual com uma única pessoa. Relacionamento Aberto geralmente parte de um casal central que mantém um compromisso primário, mas permite conexões sexuais (e às vezes emocionais, com limites) externas, com regras estabelecidas. Poliamor é a prática de manter múltiplos relacionamentos amorosos, consensuais e éticos ao mesmo tempo, onde o amor não é visto como um recurso limitado.
O ponto crucial não é escolher um “rótulo cool”, mas fazer uma autoavaliação profunda. Comece se perguntando: O que eu realmente desejo? É curiosidade sexual, necessidade de diversidade emocional, ou insatisfação com meu relacionamento atual? Comunicação é o alicerce: depois da introspecção, vem a conversa clara, sem julgamentos e em momento neutro com a(s) parceira(s).
Elabore, juntos, os “combinados”. Em relacionamentos não-monogâmicos, isso é vital. Discutam: Quais são os limites físicos e emocionais? Como será o gerenciamento de tempo e atenção? Como lidar com ciúmes (que surgem em qualquer estrutura)? Que protocolo de segurança sexual será adotado? E, o mais importante, como manteremos o canal de diálogo sempre aberto para revisitar esses acordos?

Não existe uma fórmula única para o amor bem-sucedido. O modelo mais saudável para VOCÊ é aquele que nasce do autoconhecimento, do diálogo transparente e do respeito mútuo, seja ele monogâmico ou não. A beleza da nossa comunidade está justamente na possibilidade de escrevermos nossos próprios manuais. Independente da estrutura escolhida, o objetivo final é o mesmo: construir conexões que tragam felicidade, crescimento e segurança para todos os envolvidos. Comece de dentro para fora, converse muito e lembre-se: o acordo que funciona é aquele que pode ser revisitado e ajustado com honestidade ao longo do caminho.

